Você pode precisar...

             Neste momento eleitoral ouvimos inúmeros absurdos sobre alguns assuntos pouco dominados pelas pessoas, mas que acham no direito de falar sem conhecimento prévio. Estou aqui para explicar o que significa as cotas e saliento que não estou defendendo ou apoiando nenhum partido político. A finalidade é apenas uma, esclarecer o que muitos não compreendem.
            Estudei a vida toda em escola pública e quando conclui o ensino médio fiz um ano de cursinho na particular e fiquei super perdida, percebi que muitos conteúdos não foram explorados durante os meus estudos. Sempre fui dedicada, tirando boas notas, porém ao tentar o vestibular na faculdade federal, foi frustrante. E, agora, percebo que se naquela época existisse as cotas, certamente eu teria mais oportunidade em estudar em uma federal, afinal, eu me encaixava neste sistema. Formei na faculdade particular e não estou desmerecendo nenhuma instituição.
            Agora, entenda o porquê eu entraria como cotista. Muitos acham que cotas são apenas para os negros. Engano! Existem oito modalidades de cotas nas instituições federais, entre as que favorecem candidatos que estudaram o ensino médio em escola pública e que possui renda familiar bruta mensal igual ou inferior a um e meio salário mínimo nacional por pessoa. Candidatos egressos no sistema público de ensino médio independentemente da renda familiar. Tem ainda, oportunidade aos autodeclarados preto, pardo ou indígena. Candidatos com deficiência, entre outros requisitos. Se quiser saber mais sobre a descrição de cada modalidade é só procurar no professor “google”.
            Se você acha que as pessoas não precisam ter oportunidades, o sábio Rui Barbosa esclarece “A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar (partilhar) desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade...Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real.” Confuso? Vale à pena ler novamente para entender que todos nós somos iguais, merecemos os mesmos direitos e oportunidades.
As cotas deram seus primeiros sinais nos anos 2000 pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que foi a primeira do país a criar um sistema de cotas em vestibulares para cursos de graduação, por meio de uma lei estadual. No país essa prática começou a ser adotada após a aprovação da lei nº 12.711 de agosto de 2012, que determina que as instituições federais de educação superior vinculadas ao Ministério da Educação, forneça no mínimo 50% de suas vagas para estudantes que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas.
E não é que este sistema deu certo! De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, realizada pelo IBGE, 51,45% dos estudantes das instituições federais têm renda familiar per capita de até três salários mínimos. A pesquisa mostrou que o número de estudantes dessa faixa aumentou consideravelmente em comparação com 2010, quando eram 40,66%. Uma das razões para este crescimento é a adoção do sistema de cotas nos processos de seleção.
Portanto, é importante entender o conceito e pensar que as cotas são um mecanismo de superação das desigualdades sociais que marcam a nossa sociedade.


Fonte:https://blogs.oglobo.globo.com/eissomesmo/post/maioria-dos-alunos-das-universidades-federais-vem-da-parcela-mais-rica-da-populacao.html

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