Incerteza da certeza


Faltam poucos dias para as eleições e temos uma missão difícil, eleger alguém que possa fazer algo pelo país. Tendo em vista a pesquisa realizada pelo BBC News Brasil, 59% dos eleitores ainda não sabem em quem votar ou não pretendem escolher ninguém, ou seja, estão ou melhor estamos desacreditados no que virá por aí.
O cenário político ainda não definido nos traz apenas uma certeza, que o Brasil continuará o mesmo, os problemas com a educação, falta de segurança pública e serviços de saúde não serão resolvidos de imediato. É preciso um plano em longo prazo. Vale ressaltar que não adianta eleger um novo presidente se a base de apoio for a mesma, sendo premente uma mudança radical também no poder legislativo federal.
O que fazer? A minha sugestão é apostar em quem acredita que o país mudará com uma nova política educacional e não pensar que o ideal é aumentar o número de presídios ou entregar uma arma na mão do povo para se “defender’.
Vamos lá, analisem bem se cadeia é a solução? O Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo, com mais de 726 mil detentos, segundo levantamento referente a junho de 2016. Se compararmos com o ano de 1990, a população carcerária cresceu oito vezes, enquanto neste mesmo período a população nacional teve um acréscimo de apenas 39%. Opa, cadeia resolveu? Se tivesse resolvido, os alarmantes índices de criminalidade teriam sofrido uma drástica redução, não acham? Do quantitativo total de presos, 61% não tem ensino fundamental completo, mais da metade são jovens de 18 a 29 anos e 64% negros. Jovens, que deveriam estar nas escolas e trabalhando.
O sistema prisional brasileiro é controlado por facções criminosas, o governo não tem domínio. Cadê as aulas, cursos e preparação para que esses detentos tenha um futuro melhor? Só está no papel e nada na prática. Hoje o presídio é lugar para aprimorar ainda mais o bandido, que entra como um simples “aviãozinho” do tráfico e sai pós-graduado em crime organizado.
A segurança pública também foi o tema discutido no Congresso Internacional de Tecnologia e Inovação que aconteceu nos dias seis e sete de agosto em São Paulo. Durante um bate papo, o Ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, revelou que falta uma política de prevenção social para redução de crimes, visto que o estado não dá a garantia de vida aos detentos, nem trabalho e educação. É preciso que o sistema político foque neste assunto, não adianta mais polícia, mais armas e mais repressão, se os presídios não cumprem a sua função primordial, a ressocialização dos apenados.
A arma de fogo, que muitos brasileiros defendem a legalização do porte, foi responsável por mais de 70% dos homicídios registrados no país em 2016. Os Estados Unidos, um dos países mais desenvolvidos no mundo, concentra o maior índice de mortes por este mesmo motivo e, toda vez que acontece um massacre, a venda indiscriminada de armas é alvo de intensas discussões.
Atenção, eleitores. Precisamos tomar como base todos os assuntos propostos pelos candidatos. Aproveitem bem os debates, a inteligência será a nossa maior arma.


Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2017-12/populacao-carceraria-do-brasil-sobe-de-622202-para-726712-pessoas
https://istoe.com.br/populacao-carceraria-no-brasil-ja-e-terceira-maior-do-mundo/#

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