Muros da miséria

Mansões com muros a perder de vista do outro lado morros empilhados de casas que parecem desabar. A pobreza dos desfavorecidos e a riqueza desenfreada dos bens sucedidos, assim pude analisar friamente a maior cidade do país.
São Paulo e entorno concentram 10% da população do Brasil, são cerca de 20 milhões de habitantes vivendo um contraste de classes. Lugares belos misturados com a pobreza, com aqueles que nem sequer sabem o que é um prato diário de arroz e feijão. Cidade rica, refém do medo e da pobreza. Do lixo ao luxo, do amor à dor.
Miséria que não só atormenta o pobre, mas que convive com o rico que não tem liberdade em uma cidade onde o poder é o maior risco da sobrevivência. Um lugar onde ter e não ter são separados por alguns metros de distância. É uma realidade que não conseguimos imaginar, pois não temos a dimensão dessa vivência.
Metrôs, ônibus, trens, transportes públicos no qual você é apenas mais um sendo empurrado, esmagado pela pressa e para conseguir um lugar para se sentar depois de um dia todo de muito trabalho. Um mundo que parece ser irreal para quem habita no interior. Aprendi que precisamos agradecer todos os dias pelo sossego nas ruas, por conseguir sair de casa e chegar bem no final do dia, por não se deparar com cenas lamentáveis da cruel situação de abandono do ser humano. Vivemos no paraíso. Claro que a violência está em todo o lugar, mas o fato de presenciarmos poucas ações dramáticas é uma grande vitória para nós que convivemos no sossego de nossas casas e cidades interioranas.  
Prostituição, venda aberta de drogas, recursos escassos para a educação, saúde, moradia, é mais comum do que estamos habituados a ver. Por onde você anda em São Paulo há pessoas que nos geram diversos sentimos como compaixão, medo, horror, tristeza. Você é apenas mais um no meio de milhões daqueles que vivem pelo simples fato de ter vindo ao mundo e não importa o que têm, para onde vão e o que irão ganhar, estão ali por estar.
Terra da garoa, terra de ninguém, terra do temor, terra do horror, terra de milionários e terra dos necessitados.
Principal centro financeiro, corporativo e mercantil da América do Sul, cidade globalizada que ocupa a 14ª posição no planeta. Mas, o que isso importa? Vendo a situação míseras de milhares de pessoas perambulando pelas ruas sujas, com mal cheiro, dormindo no meio de suas fezes, da sua comida, da sua triste realidade confrontada pela divisão absurda de classes sociais. Uma cidade que é monstruosa de uma população estática da crueldade e da falta de estrutura familiar e educacional.


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